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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Somos co-autores de tudo o que nos acontece

Adaptado de Gustavo Gitti



Homens adoram desafios. Como diz Charlie, da série Two and a Half Men, algumas mulheres são como o Monte Everest: quanto mais difícil, melhor a sensação de chegar ao topo. Mas ao mesmo tempo ele questiona: qual a graça de passar muito tempo sentado lá em cima? Muito mais interessante seria descer e procurar outras aventuras não é mesmo?

Além do "sexo", o fator importante para o homem é a "necessidade de auto-afirmação e o desejo de poder" – ambos saciados pelo "ato da conquista".
Neste caso, para a mulher, não há muito o que fazer, pois este homem terá de bater muita cabeça até se livrar da necessidade de auto-afirmação ou até aumentar a dificuldade de seu desafio.

Na verdade, conquistar várias mulheres é fácil, mas tentar deixar apenas uma mulher feliz é uma aventura para a vida toda.

O que trava um homem
não é o medo de se envolver, é algo mais simples: "medo de viver". Se não enfrentamos o fato irremediável de nossa finitude, é natural continuarmos nos segurando, sem jogar 100% de nós ao mundo.

A saída para isso reside nas seguintes perguntas: “O que mesmo eu estou esperando? Qual situação ideal futura seria necessária para eu fazer o que posso fazer já? O que está me impedindo de declarar meu amor a tudo e a todos e mergulhar na vida?”. Neste caso, o homem pode ser sincero ao dizer que está fazendo planos, mas infelizmente o medo as vezes supera o seu amor, ou seja, a sua contração é maior que sua abertura.

Às vezes um homem está disposto a se envolver e deseja um relacionamento profundo tanto quanto a mulher, porém, ele sente-se impotente e inseguro para recomeçar. Neste contexto, sem querer, ele acaba se sabotando: erra onde saberia acertar, diz o que não pensa, faz a mulher ter uma imagem distorcida dele, fica frio e distante.

Neste caso, a mulher pode contribuir para a liberar desse obstáculo se ela estiver disposta. Basta que não acredite naquele homem que ele parece ser e comece a invocar o homem que ela vê ali.

A dinâmica de um casal é algo digno de estudo. Vários ritmos, andamentos, ânimos e momentos se alternam dentro de uma história em comum. Às vezes, um se deprime, enquanto o outro está com toda a energia. Às vezes, um foca no relacionamento e o outro está com "mil outros focos". Nesse caso, a distância e a frieza talvez seja apenas um momento (impermanente como todos). Acabou a “química!”

Essa coisa inexplicável que nos faz querer ficar grudados ao outro, ela é o início de tudo e pode também ser o fim. Do mesmo modo que não sabemos de onde a conexão vem, não vamos sequer notar seu gradual desaparecimento.

Poucos são os homens (e mulheres) com a habilidade de construir a paixão, fazer nascer a química, e assim conseguir alimentá-la e sustentá-la. Na maioria dos casos, somos passivos a tudo o que nos acontece. Apenas reagimos e respondemos de modo previsível: nos alegramos no início do relacionamento e nos deprimimos ao final.

Mas, o amor pede uma postura ativa. Somos co-autores (não vítimas) de tudo o que nos acontece. Nossas vidas são obras de arte coletivas: hipertextos, filmes, canções, telas, esculturas, fotografias de nós mesmos, por nós mesmosentido, nossas vidas, deveriam ser encaradas como obras de arte, como nos ensina Michel Foucault.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A mentira em um relacionamento

Uma das mais recorrentes causas de separação é a mentira. É uma das maiores causas de problemas.

A mentira é vulgarmente abordada com um olhar egoísta. Em geral, as pessoas fazem uso da mentira para protegerem a si mesmas, para evitar brigas, discussões, confusões, para se fazerem importantes ou para se sentirem pertencendo a um grupo, entre outros fatores.

Muitas vezes, a mentira revela uma insegurança da pessoa em se assumir como ela é, revelando baixa auto estima. Em geral, as pessoas que mentem num relacionamento tem baixa auto estima ou então mantém o relacionamento amoroso por interesses vários que não apenas o sentimental.

Quem mente entra também numa espiral complicada e perigosa. Há muitas situações que levam uma pessoa a mentir.

A vergonha leva as pessoas a mentir para ocultar outras mentiras anteriores. Pessoas que gostam de esconder o que lhes tira o prestígio. Sim, porque o prestígio, o status está acima de tudo para esta pessoa.

A partir disto, a vida complica a cada hora. Aparece o medo de ser descoberto, a angústia de esconder algo que ainda não se tem certeza, o constante sobressalto ao toque do telefone ou mensagem, o medir as palavras para não cair em nenhuma armadilha, faz com que, quem mente, faça da vida do outro um "inferno" e viva numa constante angústia.



Estes estados profundos de preocupação levam frequentemente a irritabilidade, depressão e até mesmo a estados quase suicidas. Há uma sensação de se ser e agir de forma dual, como se fosse duas pessoas. Em casos extremos, o próprio vê-se como outra pessoa, tentando imaginar uma vida diferente fantasiosa, levando a mais mentiras e fugas. Muita gente passa a acreditar na própria mentira. É como se, assim, pudesse se defender.


Em alguns momentos procura-se o álibe de que não se está mentindo, mas "omitindo". Creio que omissão é um nome chique que se deu para mentira! Não existe omissão sem mentira e nem mentira sem omissão, uma não vive sem a outra. Mentir é inventar histórias, omitir é esconder fatos.

Uma mentira, por mais inocente que pareça, é sempre demais perigosa, podendo arrastar e prender as pessoas a uma realidade falsa. O pior estrago que uma mentira pode provocar é quando ela é descoberta! Não importa o tamanho da mentira e nem os motivos que levaram a pessoa a mentir, a pessoa mentirosa passa a ser vista com desconfiança e perde a credibilidade.

E, muitas vezes, além de todas as dificuldades que ela tem na tentativa de recuperar a confiança perdida, esta pessoa pode perder para sempre o convívio com determinados entes queridos, seu emprego, entre outros. Ou seja, a descoberta da mentira pode gerar uma mudança radical na sua vida.

Nunca a mentira será a solução para algo, ela não sana, pelo contrário, acentua e agrava os problemas. Após uma sequência de mentiras apenas fica a desconfiança.

Não existe nada mais devastador para um relacionamento do que a perda da confiança. A pessoa que mente, acaba com as chances de o amor dar certo. E, com isso, a relação nunca mais será a mesma.
Sem confiança, não há tranqüilidade. Quando um parceiro perde a confiança no outro, o relacionamento acaba. A sensação de sentir-se traído provoca muita dor e rompe com a parceria amorosa.

O mentiroso jamais é perdoado, e aquele que foi enganado passa a desconhecer o outro, a questionar quem ele é, verdadeiramente. Diante da descoberta da traição, a pessoa passa a acreditar que seu relacionamento todo foi uma grande mentira.
Quando a mentira entra no relacionamento, pode acabar de vez com a confiança que existia entre o casal.

Quem mente passa a conviver com dois fantasmas: o da MENTIRA e o do MEDO de ser descoberto. Por mais que se acredite que não vai fazer mal contar uma mentirinha para o parceiro, uma coisa é certa: mentira um dia será descoberta. E pior, não existe mentira positiva. Todas são negativas e têm poder suficiente para acabar com qualquer relacionamento, já que a base mais sólida das relações humanas é a confiança.

A pior coisa que existe é uma pessoa descobrir que foi enganada. Por isso, mesmo que a verdade seja dolorosa, é melhor optar por ela. O relacionamento deixa de ser saudável no momento em que a mentira atravessa a relação.

Veja o que a mentira pode causar:

• Decepção: pela constatação de que o parceiro não era exatamente o que se pensava que fosse.

• Sentimento de fracasso: pelo erro de avaliação e de ter se apaixonado por alguém que não era confiável.

• Desconfiança: é impossível permanecer num relacionamento se a capacidade de continuar apostando na relação foi destruída pela mentira.

• Ressentimento: sentir-se desconsiderado, desrespeitado e traído provoca inicialmente mágoa e raiva. O ressentimento é diretamente proporcional à expectativa que se tinha sobre o parceiro.

• Desrespeito: o parceiro enganado, pode insconscientemente se vingar do mentiroso e o clima entre o casal pode tornar-se hostil e perigoso.

• Desinteresse: ao ser enganado, o parceiro interrompe o afeto que era dirigido ao outro. Passa a ver o mentiroso como alguém a ser evitado.

• Ruptura: o amor não resiste. Mesmo que o sexo seja maravilhoso, também passa a ser questionado como possível encenação.

De acordo com
Krishnamurti, a verdade pode ser uma das coisas mais devastadoras e
desconfortáveis. As pessoas que buscam o conforto não desejam a verdade: desejam apenas segurança, proteção, um refúgio onde não sejam perturbadas.

Já aquelas que buscam a verdade, precisam abrir a porta às perturbações e às tribulações, porque só nos momentos de crise há o estado de alerta, há vigilância, ação. Só então aquilo que é pode ser descoberto e compreendido.

Adaptado de:
http://amoresilencio.blogs.sapo.pt/3212.htm
http://www.melhoramiga.com.br/2010/01/efeitos-da-mentira-no-relacionamento/

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Relacionamentos

“Um relacionamento nunca cria nada. Ele só pode trazer algo que já é existente. Assim, nunca jogue a responsabilidade no outro. O outro é, no máximo, uma ajuda para lhe mostrar as subcorrentes de sua mente. Cada relacionamento é um espelho; ele revela sua identidade a você.” (Osho)



Nós vemos apenas aquilo que queremos ver nos outros. A isso chamamos de “projeção”. Projetamos no outro o tempo todo nossos desejos, ideais e sonhos. Evidentemente, isto não é totalmente ruim esperar sempre o melhor de todo mundo. O problema é quando se cria uma grande expectativa, uma ilusão de perfeição ou se coloca uma aura de divindade em uma pessoa tão humana (demasiado humana, como diz Nietzsche) quanto qualquer outra que também erra e mente. Neste pequeno texto de Osho, ele resume sábiamente a idéia de como fazemos o tempo todo a projeção no outro:


As projeções

É um fato conhecido: você não se apaixona por alguém; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. E enquanto vocês não vivem juntos, e você vê o outro da sua sacada, ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir: “Somos feitos um para o outro” .

Mas ninguém é feito um para o outro. Você vai projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente. Você cria um certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você. Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade. E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte; o homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte. Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando? Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos, somos estranhos e será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos. Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa. Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como eu poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe; pelo contrário sinto isso como uma benção. Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade".


De acordo com Bia Flauaus
, muitas vezes nos sentimos magoados, incomodados ou decepcionados com o outro. Precisamos procurar nos manter o mais atento e presente possível, para observar onde estão em mim essas características de que não gosto no outro... Quando enxergo essas características (ou defeitos) em mim, começo a ter uma conduta amorosa comigo mesmo, me aceitando melhor como sou, apesar de meus defeitos. Nos aceitar como se aceita um filho, por mais que se discorde de suas condutas ou escolhas...

O fato de nos tornar conscientes dessas projeções, nos transforma, e tudo isso diz respeito somente a nós mesmos, independe de se o outro tem ou não aquelas características que observamos nele... Neste sentido, portanto, o que deve nos interessar não é idolatrar ou crucificar o outro, mas apenas reconhecermos no outro características que também são nossas, para que possamos estar atentos ao nosso auto-conhecimento.

Dessa maneira, podemos ir nos encontrando, aprendendo a aceitando aquilo que somos. Nesse caminho, o afeto que temos pelo outro permanece o mesmo, pois somos capazes de perceber que ainda precisamos projetar (ainda que precisamos do espelho do outro), somos capazes de voltar sempre ao nosso centro, de nos encontrarmos novamente conosco e de permanecermos amando o outro, independentemente de quão desagradáveis sejam nossas projeções sobre ele...