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quinta-feira, 29 de março de 2012

Amor


Sempre soube que amor é planta. Mas vim descobrir, já na flor dos anos, que a amizade também é planta; estranha planta que pode nascer ao longe, e alimentar-se de sonhos, de palavras, mas também de silêncios e delírios. Que vive no entredito, no entrevisto, no imaginado; na sutileza do que se supõe descoberto. Na espera, na familiaridade da semelhança, na estranheza das confissões, na riqueza da discordância.

E floresce com pistilos de ansiedade vermelha, e se derrama em gotas de orvalho e fragilidade, e se revela aos poucos, temerosa como uma virgem; porque o coração é terra bravia, e a alma alquebrada, na solidão construiu sua fortaleza.

Mas a vida me trouxe presentes, risos de ouro, mensagens de incenso, e histórias de mirra; e olhos sinceros, e contatos secretos, que se constroem no espanto de ver-se refletida em afetos alheios. E imagino uma estrela que brilha, quase do outro lado do mundo, quase ao alcance das mãos.

Por todas essas maravilhas, me ajoelho ante a planta que brota de minhas entranhas, plena de sumo e verde e encantamento; e agradeço as promessas simples, de vegetal esplendor. E tremo, porque me sei na presença do sagrado; e temo, pois meu coração se abre, vibrante e exposto como a flor das manhãs.

Depois encontro tuas palavras, e meu peito se enchem de seiva nova, e o riso se faz cascada para lavar a alma e as vestes, e o caminho se faz companhia. E uma lágrima foge, e rola, se torna alívio e consolo; porque sei, que apesar das águas e lembranças que nos separam, tu, entendes.

(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 28 de março de 2012

Amor


Quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
( Paulo Leminski )

terça-feira, 27 de março de 2012

O Medo do Amor


Medo de amar?
Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos.
Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê. O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba.
Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável.
Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto.
Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático.
Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade.
Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia.
Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim.
Um novo amor?
Nem pensar.
Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.

Martha Medeiros

domingo, 25 de março de 2012

Amor


Nesta trajetória, em parte minha, em parte de minhas ficções - já escritas ou ainda nem definidas - ficou-me a certeza de que o bem supremo não é a vida mas uma vida digna; o bem maior não é o amor mas um amor que dê alegria e paz - e que, mesmo se terminar, continuará nos aquecendo na memória.
E que há sempre, em algum lugar talvez inesperado, a possibilidade de música e vôo. Não há fase da vida para ser paciente e virtuoso; não há idade para ser belo, amoroso e sensual (...)
Não sei se fui capaz dele ou se o mereci, mas esse amor - cuja duração nem sempre importa - vale muitas vidas e não nos pertence. Foi colocado em nós como um aroma num frasco, guiado por outra mão que não a do mero acaso. Tem em si uma luz que a maturidade torna mais vibrante e espalhada - e, apesar das dores, muito mais enternecida."
Lya Luft

segunda-feira, 19 de março de 2012

Aceite meu amor


Como tudo que é vivo
Daqui ou ali
Nesse momento, hoje ou amanhã.
Enquanto é tempo
Antes que a vida acabe
Nunca é tarde
Me aceite assim como eu sou
Sou mais do que tenho
Abrace-me, que te darei minha energia.
Seremos dois em um
Me dê sua mão, nossos chacras se unirão.
Sentirás meu coração
A pulsar hoje e sempre
Até onde vai dar o firmamento
Inclusive em pensamento
Seremos um do outro o suporte
Até a nossa morte
Me aceite, me abrace...
Deixe-me aquecer-te
Temos um longo caminho a percorrer
Tudo devagarinho, conquistando dia a dia.
Isso não é Paixão, que é intensa, mas em pouco tempo explode, acabando com tudo.
E nos deixa sem chão com muita tristeza no coração.
O que eu estou te propondo é AMOR!
Amor, calmo, sereno e paciente.
Nunca esquecendo de ser também caliente.
Mas com um companheirismo permanente.
Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar.
Como é fácil me AMAR...

Julia...01/06/2011

O Amor acontece em qualquer idade


O título do post é de uma crônica do escritor Rubem Alves que, com sua forma de ver o processo de viver, me motivou a reproduzir alguns trechos para reflexão sobre o amor e o envelhecimento.


"Amor de mocidade é bonito, mas não é de espantar. Jovem tem mesmo é que se apaixonar. Romeu e Julieta é aquilo que todo mundo considera normal. Mas o amor na velhice é um espanto, pois nos revela que o coração não envelhee jamais. Pode até morrer, mas morre jovem. O amor retribuido sempre rejuvenesce, dizia Eliot, no vigor de sua paixão, aos 70 anos…

Na psicanálisepara o inconsciente não há tempo…Somos eternamente jovens.

Ela casou. Ele casou. Nunca mais se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos (ele tinha 79), ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Foi procurá-lo. Encontraram-se. E, de repente, eram namorados adolescentes de novo. Resolveram casar-se.

Os filhos protestaram. Eles, os filhos, todos os filhos, não suportam a idéia de que os velhos também têm sexo. Especialmente os pais. Pais velhos devem ser fofos, devem saber contar estórias, devem tomar conta dos netos. Mas velho apaixonado é coisa ridícula. Não combina.

Os filhos sempre decidem contra o amor dos pais. Mas, na nossa estória, os dois velhos deram uma solene banana para os filhos e foram viver juntos em Poços de Caldas.

E de repente, já no crepúsculo, as arvores que todos julgavam secas começam a soltar brotos, florescem. Viveram um ano de amor maravilhoso, e ele até começou a escrever poesia e voltou a tocar o violino que ficara por mais de 50 anos sobre um guarda roupa, porque a esposa não gostava de música de violino.Reaprendeu as antigas palavras de amor.

O amor tem esse poder mágico de fazer o tempo correr ao contrário. O que envelhece não é o tempo, é a rotina, a incapacidade de se comover ante o sorriso de uma mulher ou de um homem. Mas será incapacidade mesmo? Ou será uma outra coisa: que a sociedade inteira ensina aos velhos que o tempo do amor passou, que o preço de serem amados por seus filhos e netos é a renuncia aos seus sonhos de amor? Morreu de amor, como temia o Vinícius..."


Rubem Alves

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Decifra-me


Não me venha falar de Razão
Não me cobre Lógica
Não me peça Coerência
Eu sou pura Emoção!
Tenho razões e motivações próprias
Sou movido por Paixão
Essa é a minha religião
A minha ciência
Não meça meus sentimentos
Nem tente compará-los a nada
Deles sei eu
Eu e meus fantasmas
Eu e meus medos
Eu e minha alma
Suas incertezas me ferem
Mas não me matam!
Suas dúvidas me açoitam
Mas não deixam cicatrizes
Não me fale sobre as nuvens
Eu sou o Sol e a Lua
Não conte as poças
Eu sou o mar
Profundo...Passional...Intenso [..]
Tenho vários nomes
Mas...Aqui na sua terra
Chamam-me de... AMOR!
(Autor desconhecido)

domingo, 28 de agosto de 2011

Quando me Amei de Verdade

Kim McMillen

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome…Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.

Hoje sei que isso é…Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é…Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… Saber viver!!!

sábado, 20 de agosto de 2011

Para que serve o Amor?

Rosana Braga



A decisão de ser e estar para o amor depende de nossos pensamentos, de nossas atitudes, de nossas crenças internas, de nossa consciência e disponibilidade para se entregar e aceitar os desafios que fazem parte da vida.

O maior desafio é termos a consciência de que o amor não é um conto de fadas. Que basta encontrar um príncipe encantado para que ele aconteça, para que os sentimentos apareçam mesmo que não se faça nada.

Se nos basearmos nessa crença, passamos a investir nossa energia em aprender estratégias e técnicas de manipulação, truques de sedução, diversas maneiras eficazes e infalíveis de conquistar quem quer que seja.

Passamos a apostar demasiadamente em nossa aparência, justificando ganhos e perdas a partir apenas por aquilo que vemos no espelho, nos tornando reféns de roupas, cabelos, maquiagem, moda, sapatos.

Sabe-se que a aparência tem sua importância, mas é passageira, não tem força nem consistência para fazer nascer e crescer um amor verdadeiro.

O amor está além do envólucro e se alimenta de consistência, de algo que melhore com os anos, que se torne mais forte à medida que os anos passam.

A pele enruga e fica flácida, o corpo perde a agilidade e a juventude, o raciocínio fica mais lento e as rugas se tornam cada vez mais evidentes e, mesmo assim, o amor ainda pode crescer a cada dia, pode se superar, fazendo com que as pessoas sejam cada vez mais mais felizes, por meio de pequenos gestos.

Mas qual é o verdadeiro papel do amor em nossas vidas?

Enquanto acreditarmos que os relacionamentos têm a função de “nos satisfazer em todos os sentidos”, como se fosse algo que chega para acabar com nossas frustrações e solidão, ficaremos pulando de galho em galho, promessa em promessa, de casamento em casamento, nos sentindo cada vez mais vazios e infelizes.

Precisamos admitir que muitas vezes as derrotas que sofremos são conseqüências de nossas próprias atitudes, de nossas próprias escolhas.

Não podemos considerar cada dificuldade como um sinal de que é hora de desistir, de acabar tudo e procurar outra pessoa, senão, passaremos nossa vida inteira em busca de alguém que nunca nos desaponte, nunca cometa nenhum erro ou nunca nos faça sofrer.

Amor não é isso. Em alguns momentos também desapontaremos a pessoa amada.

A função do amor é nos mostrar que o relacionamento entre duas pessoas é passível de dor e enganos e que isso acontece justamente para que possamos refletir sobre nossa participação neste processo.

Neste sentido, não há um culpado ou inocente.

No momento em que algo não vai bem na relação, a função do amor é levar-nos ao seguinte questionamento:
por que escolhi essa pessoa? Certamente tenho algo a aprender com ela. E se ela é semelhante a mim, o que há em mim que atraiu alguém como essa pessoa?