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quarta-feira, 2 de novembro de 2011


Case-se com alguém que você gosta de conversar.
Quando o tempo for seu inimigo, e as linhas de expressão dominarem sua face e sua vitalidade não for como você gostaria, tudo que restará será bons momentos de conversa com alguém que viveu com você muitas histórias, que segurou as suas mãos inúmeras vezes, que lhe abraçou quando sabia que precisava e que lhe falou a palavra no tempo certo.
Vai se lembrar ao longo da vida de momentos felizes, engraçados, apaixonados e vocês ainda vão rir muito juntos.
Então lembre-se que a beleza passa, pois é vã.
Mas o carinho, o respeito, o conhecimento este aumenta a cada dia.
Então case-se com alguém com quem realmente você gosta de conversar, porque ao longo dos anos, isso fará toda a diferença.

Simone Athayde

sábado, 20 de agosto de 2011

Casamento: o caráter lógico do jogo que se joga...

Rubem Alves


Os apaixonados vivem num mundo maravilhoso de fantasia amorosa.

Acreditam firme e honestamente que o casamento será a realização da sua paixão em toda a pureza da fantasia para o resto da vida.

Mas todo mundo sabe, menos os apaixonados, que na vida não acontece assim. As rotinas do dia a dia geralmente não combinam com fantasias amorosas.

Casados, os apaixonados terão de lidar com algumas coisas boas, mas também com uma porção de coisas banais e irritantes.

Algumas coisas banais acabam com o sonho romântico: a mancha de pasta de dentes na pia do banheiro, os pratos sem lavar na cozinha, os programas favoritos de televisão, que revelam a inteligência e a sensibilidade estética do espectador.

O problema está no caráter lógico do jogo que se joga. Porque o jogo que se joga é o jogo do lucro, e no jogo do lucro não há lugar para a bondade.

A paixão é muito parecida com a política. Enquanto os partidos éticos e idealistas não têm poder, eles se comportam como os apaixonados. Mas depois que estão no poder, a realidade é outra...

Para o casamento há três soluções.

Primeira: abandonar os belos ideais e aceitar as regras do jogo da realidade. Marido e mulher permanecem juntos por razões práticas.

Segunda: o divórcio que permitirá que se reinicie a busca do príncipe encantado em outro lugar. Mas com o novo príncipe encantado vai acontecer a mesma coisa.

Terceira: abandonar a política e transformar-se em profeta, isto é, visionário solitário. Solitários, não tem poder. Por serem solitário, não se joga em nenhum time e geralmente se é detestado pelos da direita e pelos da esquerda.

A política é um jogo com dados viciados. O poder corrompe. No poder todos os partidos jogam o mesmo jogo, com diferenças de estilo.

A solidão do profeta o torna fraco politicamente, mas, em compensação, lhe dá liberdade para dizer a verdade, sem que haja a preocupação com o uso de estratégias para sua segurança pessoal.

Quem quiser ficar casado ou permanecer no partido tem de se conformar: todos os príncipes encantados usam de estratégias para conseguirem o que desejam.

Mas o que resta então? Será que só a a alternativa da solidão profética, ou poética?